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Quinta-feira, 15 de outubro Últimas

Volta Redonda Região Sul Fluminense

Secretaria de Educação de Volta Redonda utiliza inteligência artificial para inovar no ensino e otimizar a gestão escolar

Por Redação, com informações de Prefeitura de Volta Redonda
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Secretaria de Educação de Volta Redonda utiliza inteligência artificial para inovar no ensino e otimizar a gestão escolar

Tecnologia é aplicada no planejamento pedagógico, no desenvolvimento de atividades com os alunos e na organização administrativa das unidades da rede municipal

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Volta Redonda vem ampliando o uso da inteligência artificial (IA) no cotidiano da rede municipal de ensino. A tecnologia tem sido incorporada tanto às práticas pedagógicas, como ferramenta de apoio a professores e alunos, quanto aos processos administrativos das unidades escolares, contribuindo para otimizar rotinas, facilitar o planejamento e diversificar as estratégias de aprendizagem.

O trabalho envolve diferentes frentes, que contemplam desde a utilização de recursos digitais em sala de aula até o desenvolvimento de ferramentas que auxiliam na organização das escolas. A proposta é utilizar a inteligência artificial como aliada da educação, respeitando os objetivos pedagógicos e mantendo o acompanhamento e a validação dos conteúdos pelos profissionais da rede.

A equipe de Tecnologia e Inovação da SME, inclusive, está realizando estudos sobre documentos normativos relacionados à inteligência artificial, em alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Computação. A iniciativa também prevê a realização de ações formativas com os professores da rede municipal, com foco na aplicação da inteligência artificial à educação, visando abordar aspectos éticos do uso da tecnologia e orientar os profissionais sobre a utilização de ferramentas digitais como recursos de apoio ao processo de ensino e aprendizagem.

Álbum virtual de figurinhas incentiva aprendizagem em Geografia

Na Escola Municipal Walmir de Freitas Monteiro, uma experiência conduzida pelo professor de Geografia Daniel Lacerda mostrou como a inteligência artificial pode contribuir para despertar o interesse dos estudantes e ampliar as oportunidades de aprendizagem. A partir da expectativa em torno da Copa do Mundo e da tradicional troca de figurinhas, o professor criou um álbum virtual que reuniu elementos geográficos e culturais dos países participantes da competição.

Para desenvolver o projeto, Daniel utilizou o Gemini, ferramenta de inteligência artificial do Google, para pesquisar locais e referências que poderiam compor as figurinhas, e auxiliar na criação das imagens. Os próprios estudantes também participaram da elaboração dos modelos, aprendendo a formular comandos para gerar os materiais e compreendendo, na prática, como a tecnologia funciona.

“Eu estipulei que quem fizesse a atividade do dia ganharia um pacote de figurinhas e, de repente, várias atividades a mais foram surgindo. Então, teve todo um movimento para além do trabalho em si”, contou.

Segundo o professor, o resultado superou as expectativas, inclusive pela mobilização dos estudantes em torno das atividades. A experiência também abriu espaço para discutir os limites da inteligência artificial e a importância de conferir as informações produzidas pelas ferramentas.

“Eu acho importante utilizar a IA, mas ter a noção de que ela não resolve todos os problemas. Como professor, a gente tem que ter o cuidado de mostrar para eles que a IA comete falhas e que é preciso ter conhecimento para utilizá-la”, destacou.

Alunos utilizam IA em projeto de robótica e biodiversidade

O trabalho com inteligência artificial na Escola Municipal Walmir de Freitas também está presente nas atividades de robótica. A equipe Tecnobots se prepara para participar, no dia 20 de outubro, de um campeonato no Rio de Janeiro, que tem como tema a biodiversidade. Para a competição, os alunos desenvolveram um kit voltado à aplicação da ciência cidadã nas escolas de Volta Redonda, com a proposta de coletar e apresentar informações sobre as condições ambientais.

Os estudantes Pedro Henrique Moreira de Assis e Davi Souza, ambos de 14 anos, explicam que fizeram uso da inteligência artificial como recurso de apoio ao desenvolvimento do projeto, especialmente para transformar os dados coletados pelos dispositivos em informações mais acessíveis. Entre os parâmetros considerados estão a temperatura, a pressão do solo e a umidade, que podem ajudar a compreender as características do ambiente analisado.

“A gente desenvolveu um kit para aplicar a ciência cidadã nas escolas daqui de Volta Redonda. A gente utilizou um pouco de IA nesse desenvolvimento para transformar esses dados que seriam utilizados pelo nosso robô, para que o pessoal consiga visualizar a temperatura, a pressão do solo e a umidade”, explicou Pedro Henrique.

Davi destacou que a tecnologia pode facilitar a organização e a interpretação dos dados, reunindo informações que ajudam a visualizar o que acontece no ambiente monitorado. Ao mesmo tempo, o estudante chamou a atenção para a importância de compreender o funcionamento do projeto, em vez de depender exclusivamente das respostas produzidas pela inteligência artificial.

“A IA traz alguns benefícios, pois ela consiste em fazer uma lista das temperaturas, da umidade do solo, que traduz tudo o que está acontecendo ali no ambiente. Então, a IA pode ser, sim, muito boa, mas a gente precisa entender que, se tivéssemos feito tudo com IA, poderia trazer alguns malefícios, pois não conseguiríamos entender sobre o nosso projeto”, afirmou.

Uso crítico da tecnologia também orienta a gestão escolar

Além das aplicações pedagógicas, a SME destaca o potencial da inteligência artificial para facilitar a rotina administrativa das unidades de ensino. A tecnologia pode apoiar a organização de informações, o acompanhamento de processos internos e a elaboração de documentos, permitindo que as equipes tenham mais agilidade na execução de tarefas do cotidiano.

Diretor da Escola Municipal Walmir de Freitas e integrante da equipe da SME na área de Tecnologia e Inovação, Felipe Nóbrega explicou que a escola vem testando estratégias de utilização da IA com os estudantes e desenvolvendo experiências que possam contribuir para a disseminação dessas práticas na rede municipal.

“A gente vem utilizando a inteligência artificial de forma crítica com os alunos, ainda pilotando algumas estratégias para poder disseminar na rede”, afirmou.

De acordo com Felipe, a análise de informações relacionadas à aprendizagem pode ajudar os profissionais a compreender melhor os resultados das atividades desenvolvidas com as turmas e a identificar oportunidades de melhoria. Na parte pedagógica, a orientação aos professores é que as ferramentas sejam utilizadas com senso crítico, responsabilidade e atenção aos objetivos educacionais.

Para dezembro, a escola prevê a apresentação de projetos desenvolvidos pelos estudantes com apoio da inteligência artificial. A iniciativa tem como objetivo ampliar a compreensão da comunidade sobre essas ferramentas e estimular os alunos a refletirem sobre como elas influenciam o bairro, a cidade e a sociedade de maneira mais ampla.

Referência no uso da tecnologia

A rede municipal de ensino de Volta Redonda já é referência nacional pelo uso de ferramentas digitais na prática pedagógica, tendo sido o primeiro município do estado do Rio de Janeiro e o quinto do Brasil a receber o selo Google for Education.

Sete escolas que atendem aos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) – Dr. Jiulio Caruso, Nilton Penna Botelho, Paulo VI, Pref. José Juarez Antunes, Rubens Machado, Tocantins e Walmir de Freitas Monteiro – são equipadas com salas temáticas com mobiliário diferenciado, cadeiras coloridas, mesas móveis e puffs, além de Smart TV de 65 polegadas; notebook para o professor; kit com 36 Chromebooks; e gabinete de recarga para os equipamentos.

Recentemente, representantes da SME estiveram no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), a convite do Google, para conhecer de perto o que a empresa pensa sobre tecnologia e inovação pedagógica, inclusive no uso da inteligência artificial como ferramenta no apoio à educação.

“Nosso objetivo é utilizar a tecnologia de forma responsável e estratégica, como uma aliada do trabalho dos professores e do desenvolvimento dos nossos alunos. A inteligência artificial oferece novas possibilidades para tornar as aulas mais dinâmicas, estimular a criatividade e apoiar a gestão escolar, mas é fundamental que seu uso esteja sempre associado ao pensamento crítico, à ética e à orientação dos profissionais da educação. Queremos preparar nossos estudantes não apenas para utilizar essas ferramentas, mas também para compreender seus benefícios, reconhecer seus limites e fazer escolhas conscientes. Investir em inovação é investir na qualidade da educação pública e no futuro da nossa cidade”, afirmou o secretário municipal de Educação, Osvaldir Denadai.

Fotos de Geraldo Gonçalves – Secom/PMVR.

Fonte: Prefeitura de Volta Redonda

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