Campos dos Goytacazes Norte Fluminense
Saúde Mental promove encontro de educação permanente para alinhamento do Projeto Terapêutico Singular
A Gerência de Saúde Mental, da Secretaria Municipal de Saúde de Campos, realizou, nessa sexta-feira (6), mais um encontro de educação permanente voltado à qualificação dos profissionais que atuam na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município. A atividade aconteceu no auditório do Conselho Municipal de Saúde, na sede da Secretaria, e teve como tema central o Projeto Terapêutico Singular (PTS), estratégia utilizada pelas equipes para organizar e integrar o cuidado oferecido aos usuários da rede.
O encontro teve como objetivo aprofundar o conhecimento dos profissionais sobre o conceito, as diretrizes e as etapas de construção do PTS, além de promover o alinhamento dos instrumentos utilizados pelas diferentes unidades. A proposta é fortalecer o trabalho interdisciplinar, a troca de conhecimentos entre as categorias profissionais e a construção de planos de cuidado que considerem as necessidades específicas de cada usuário.
A capacitação foi conduzida por Paula Alvarenga, professora doutora em Enfermagem, especialista em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental, enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Guarus (HGG) e assessora técnica de Saúde Mental da Gerência de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo Paula, o Projeto Terapêutico Singular é uma ferramenta fundamental para organizar o acompanhamento dos usuários a partir de uma perspectiva coletiva e individualizada, reunindo as contribuições dos diferentes profissionais envolvidos no atendimento.
“Temos um cronograma de treinamentos e capacitações, e hoje a abordagem é sobre os alinhamentos do Projeto Terapêutico Singular. No município, temos várias unidades, inclusive serviços que funcionam 24 horas, e identificamos que todas trabalham com instrumentos de PTS diferentes e incipientes, necessitando de alinhamento na Rede de Atenção Psicossocial. O PTS é uma estratégia de cuidado interdisciplinar e singular, em que cada categoria profissional apresenta seu parecer técnico sobre o caso do usuário. É um processo de trabalho vivo, no qual articulamos o cuidado em equipe para alcançar um melhor resultado”, explicou.
Durante a apresentação, foram abordadas as quatro etapas que orientam a construção do PTS: diagnóstico situacional, definição de metas e objetivos, divisão de tarefas e responsabilidades e reavaliação. O processo começa com a compreensão das necessidades, vulnerabilidades e potencialidades do usuário, passa pela definição compartilhada de objetivos e pela organização das ações entre os profissionais e prevê o acompanhamento contínuo dos resultados, com possibilidade de ajustes sempre que necessário.
Outro ponto destacado foi a importância de superar um modelo de atendimento centrado exclusivamente na doença e no diagnóstico. A proposta do cuidado psicossocial é reconhecer cada pessoa em sua singularidade, considerando também sua história de vida, seus vínculos familiares e sociais, suas condições de vida, seus desejos e o território onde está inserida. Dessa forma, o usuário deixa de ser apenas receptor de procedimentos e passa a participar das decisões relacionadas ao próprio tratamento.
Paula também ressaltou que o encontro faz parte de um processo de revisão e aperfeiçoamento dos instrumentos utilizados pelas unidades, respeitando as particularidades de cada serviço, mas buscando uma orientação comum para a rede.
“Temos realidades diferentes de uma unidade para outra, embora trabalhemos dentro da mesma diretoria. Por isso, identificamos a necessidade de aprimorar os PTS para oferecer mais qualidade ao cuidado. Algumas ferramentas já atendiam às nossas necessidades, mas entendemos que era preciso fazer modificações para chegar a um instrumento mais adequado. É na prática, a partir da implementação, que vamos conseguir avaliar como esse instrumento funciona e quais ajustes ainda serão necessários”, afirmou.
A capacitação também abordou a contribuição da Enfermagem na construção e no acompanhamento do PTS, a importância do apoio matricial a partir da conexão com Atenção Primária à Saúde (APS) e do cuidado em rede envolvendo todos os braços da RAPS.
Por Igor Azeredo / Foto: Igor Azeredo
Fonte: Prefeitura de Campos dos Goytacazes




