Campos dos Goytacazes Norte Fluminense
Profissionais de saúde de Campos e região participam de oficina sobre Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Campos sediou, nessa terça-feira (27), a 3ª Oficina Regional “Linhas de Cuidado em DPOC”, promovida pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Cosems-RJ). O encontro, aberto pelo secretário de Saúde de Campos, Paulo Hirano, foi realizado no auditório do Centro Administrativo José Alves de Azevedo, sede da Prefeitura. A oficina teve como foco o aprimoramento da assistência às pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) no Sistema Único de Saúde (SUS), incentivando a integração entre a Atenção Primária, Atenção Especializada e a Assistência Farmacêutica.
Além de profissionais de saúde de Campos, Porciúncula, São Fidélis, Italva, Muriaé, Macaé, São João da Barra (SJB) e São Francisco de Itabapoana (SFI), estavam presentes a pneumologista Patrícia Meireles, que atua no Hospital Ferreira Machado (HFM); o representante do Instituto de Fomento, Apoio e Desenvolvimento da Assistência Farmacêutica (Ifadaf) e do Cosems-RJ, Flávio Badaró; e a consultora da linha respiratória da empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim, Rayanne Prisco. Também participaram da oficina as equipes do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, do Programa de Assistência ao Paciente com Asma e Rinite (Proapar), do Departamento de Farmácia e do Núcleo de Educação Permanente em Saúde (Neps) de Campos.
Um dos vice-presidentes do Cosems-RJ, o secretário de Saúde Paulo Hirano recepcionou os presentes, dando boas-vindas aos que estiveram em Campos. “É um dia de trabalho, conhecimento e aprendizado. Através das pactuações entre o Cosems-RJ, a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) é que definimos a implementação das ações públicas de saúde. Agradeço ao Flávio Badaró e a Rayanne Prisco, da empresa Boehringer Ingelheim, pelo apoio não só logístico, mas principalmente de materiais, para a realização dessas oficinas e ações para que possamos seguir um modelo assistencial que possa ter um resultado positivo”, disse o secretário.
A pneumologista Patrícia Meireles explicou que a DPOC é uma doença grave, que precisa ser cuidada pela Atenção Primária e ter o diagnóstico correto para tratamento. “Temos medicações disponibilizadas pelo Governo do Estado, por meio do Laudo de Medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (LME), e, por isso, estamos tentando habilitar mais profissionais para que possamos absorver esses pacientes, evitando internações e até óbitos”, afirmou a médica.
Após a palestra educativa, a pneumologista realizou exames com o espirômetro, aparelho médico utilizado para medir o volume e a velocidade do ar que entra e sai dos pulmões. “O espirômetro é o nosso carro-chefe para o diagnóstico da doença e o Ministério da Saúde está enviando esses equipamentos para os municípios, incluindo Campos, para fazer a prova de função pulmonar, ler o exame e laudar. Assim, vamos poder desencadear os processos de abertura de medicação e aumentar a linha de cuidado do DPOC”, afirmou Patrícia Meireles. Sentada e com o nariz totalmente vedado por um clipe nasal, a farmacêutica da Secretaria de Saúde de Campos, Príscila Corrêa Souza, 44 anos, foi uma das que se voluntariou para fazer a prova de função pulmonar. O resultado do exame foi satisfatório.
Segundo a pneumologista, se a DPOC não for bem tratada, os desfechos não serão favoráveis. “A doença não está restrita ao pulmão. É uma doença inflamatória sistêmica. Então, o paciente portador de DPOC vai ter outras comorbidades, como doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Em todo o mundo, são 3 milhões de mortes anualmente por DPOC. Então, a gente tem a doença espalhada para todos os lados, não só pelo tabaco, mas pela exposição ambiental e pela exposição ocupacional. Reconhecer os sintomas, que são tosse por mais de 8 semanas, falta de ar, catarro, cansaço e/ou chiado e aperto no peito, e realizar um exame de espirometria, podem ser a chave para um diagnóstico rápido”, ressaltou ela.
Representante do Ifadaf e do Cosems-RJ, Flávio Badaró informou que alguns estudos apontam que a DPOC está entre as três maiores causas de morte no mundo. “Outros estudos de análise do território nacional mostraram que 15,8% da população acima de 40 anos de idade tem DPOC, uma relevância muito alta. No entanto, uma publicação na Revista Pulmão mostrou que a taxa de internação por DPOC caiu entre 2013 e 2023, de 99% para 76%, mas eu acho que a gente ainda tem muita coisa para fazer”, afirmou Flávio. Além de Campos, as oficinas aconteceram em outros municípios. A primeira foi no dia 24 de setembro, em Piraí, e a segunda na cidade do Rio de Janeiro, em 30 de setembro.
Por Fernanda Moraes / Fotos: Valquíria Azevedo
Fonte: Prefeitura de Campos dos Goytacazes



