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Quarta-feira, 4 de novembro Últimas

Campos dos Goytacazes Norte Fluminense

Departamento de Saúde Bucal reúne profissionais para alinhamento do atendimento odontológico às mulheres vítimas de violência

Por Redação, com informações de Prefeitura de Campos dos Goytacazes · Atualizado em
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Departamento de Saúde Bucal reúne profissionais para alinhamento do atendimento odontológico às mulheres vítimas de violência

“A Odontologia na Assistência à Mulher Vítima de Violência”. Esse foi o tema da capacitação realizada nessa terça-feira (3), pelo Departamento de Saúde Bucal, da Secretaria de Saúde de Campos, com o objetivo de orientar dentistas e auxiliares de saúde bucal sobre os fluxos operacionais e protocolos protetivos para que as vítimas de agressões tenham acesso à prestação de serviços odontológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento está previsto na Lei Federal 15.116/2025, que criou o Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.

O treinamento aconteceu no auditório do Centro Administrativo José Alves de Azevedo, sede da Prefeitura. O diretor do Departamento de Saúde Bucal da Secretaria de Saúde, Alexandre Buchaul, abriu o evento, que contou com as presenças da profissional dentista da Secretaria de Saúde e advogada, Daniela Bastos; da subsecretária municipal de Políticas para as Mulheres, Josiane Viana, que também está à frente de ações ligadas ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Mercedes Baptista; da gerente de Políticas Públicas para as Mulheres, Gerlane Silva; e da delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) Campos, Juliana Oliveira.

Alexandre Buchaul ressaltou que a violência contra a mulher não é um assunto só da mulher, mas da sociedade como um todo. “Precisamos abraçar o combate à violência com todas as ferramentas que tivermos disponíveis. Dentre essas ferramentas, a Odontologia é uma delas, seja na acolhida, na comunicação aos órgãos oficiais e também na nossa capacidade de reparar e dar condições melhores de vida a essa mulher”, afirmou ele.

De acordo com Buchaul, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), que funciona na Secretaria de Saúde, já vem recebendo, graças à parceria firmada entre o Departamento de Saúde Bucal, o Ceam e a Deam, um número considerável de mulheres que foram vítimas de violência e que dependem deste acolhimento para conseguir mitigar os danos que sofreram.

“O atendimento não é só para a vítima, mas para todo o núcleo familiar, representado pela mulher e seus filhos”, afirmou ele, acrescentando que o acesso ao tratamento acontece por livre demanda, bastando que a mulher compareça ao Departamento de Saúde Bucal, ou por encaminhamento do Ceam ou da Deam.

A dentista e advogada, Daniela Bastos, explicou que é preciso desmistificar que violência é só a agressão física. Na realidade, segundo ela, existem outras formas de violência, que são a psicológica, que é a ameaça e a opressão; a moral, que são as injúrias e as calúnias; as palavras depreciativas; e a violência patrimonial. “Quantas mulheres ainda hoje dependem economicamente dos seus maridos e, às vezes, elas não dependem financeiramente, mas o controle da parte financeira de todo o patrimônio deste casal fica retido na mão do homem”.

Daniela citou, ainda, a violência sexual e a violência vicária, sendo essa última a mais recente e que acontece quando o agressor não atinge diretamente a mulher, mas ameaça os familiares, que são sua rede de apoio, seja por grau de parentesco ou vínculo sentimental. “Quando realizamos palestras nos hospitais e falamos para médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, que são pessoas que cuidam de pessoas, nosso foco é fazer com que todos tenham em mente que, independentemente da classe social, é uma mulher que está em estado de vulnerabilidade financeira ou emocional. Devemos evitar perguntas repetitivas, não julgar ou pressionar a vítima para tomar decisões drásticas, tipo, você tem que largar ele. O recomendado é termos uma postura profissional, escuta empática, ambiente seguro e respeito à identidade”, explicou.

Já a subsecretária municipal de Políticas para as Mulheres, Josiane Viana, disse que, embora a subsecretaria tenha assistente social, psicólogo e advogado, o órgão precisa do apoio de outros equipamentos, como a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, a fim de conseguir benefícios, como o aluguel social para essa vítima, da Defensoria Pública e da Deam, que é quem mais encaminha vítimas de violência para o Ceam. “É importante falar que não podemos perder essa mulher dentro do sistema público e essa parceria com a Odontologia vai nos ajudar bastante, porque as demandas dessas vítimas são muitas. Com educação, leis mais rígidas e uma rede de apoio, vamos conseguir protegê-las”. Em 2025, em todo o país, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, enquanto, até setembro deste ano, já foram registradas 1.081 mortes, segundo Josiane.

A delegada da Deam Campos, Juliana Oliveira, defendeu o olhar empático e acolhedor. “Toda vez que surge um novo protocolo, um novo fluxo de atendimento, a gente vai tropeçando ao longo do caminho até conseguir encontrar o caminho mais seguro para nós, para vocês que não são da área de segurança pública e, para essas mulheres, para que não sejam vitimizadas por terem buscado ajuda”, disse a delegada.

Ela ressaltou que é sempre importante ter em mente que os profissionais estão lidando com um agressor. “Eu sei que tem muita gente que acha que quem comete violência doméstica não é um criminoso, mas ele é criminoso sim. Ele pratica crime a exemplo de quem mata, trafica droga ou rouba. Não podemos nunca menosprezar a capacidade de uma pessoa que agride uma mulher que vive com ela”, finalizou Juliana Oliveira. Somente em 2026, até o momento, a DEAM registrou 3600 ocorrências.

Por Fernanda Moraes / Fotos: Roberto Jóia

Fonte: Prefeitura de Campos dos Goytacazes

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