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Quinta-feira, 22 de outubro Últimas

Volta Redonda Região Sul Fluminense

Violência contra a mulher: palestra reúne mais de 700 pessoas e reforça importância da rede de proteção em Volta Redonda

Por Redação, com informações de Prefeitura de Volta Redonda
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Violência contra a mulher: palestra reúne mais de 700 pessoas e reforça importância da rede de proteção em Volta Redonda

Evento promovido pelo Instituto Dagaz, em parceria com a prefeitura, lotou o Teatro Maestro Franklin de Carvalho Júnior

Mais de 700 pessoas lotaram o Teatro Maestro Franklin de Carvalho Júnior, em Volta Redonda, nessa quarta-feira (21), para discutir o enfrentamento à violência contra a mulher. Promovido pelo Instituto Dagaz, em parceria com a Prefeitura de Volta Redonda, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas) e Fundação Educacional de Volta Redonda (Fevre), o encontro reuniu representantes do Judiciário, da segurança pública, da Assistência Social, do terceiro setor, além de estudantes, profissionais e moradores.

Um dos destaques da programação foi a apresentação de dados nacionais sobre feminicídio, violência psicológica e agressões no ambiente doméstico. A juíza Luciana Fiala, especialista em Direito Penal e Gênero e mestre em Direitos Humanos e Saúde, apresentou números que evidenciam a dimensão do problema e reforçam a importância da informação e da atuação integrada dos órgãos responsáveis pela proteção das mulheres.

Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio, aumento de 4% em relação ao ano anterior, além de 4.189 tentativas de feminicídio – alta de 5,9%. No mesmo período, foram contabilizados 60.830 registros de violência psicológica e 286.270 ocorrências de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica.

Informação para reconhecer a violência e buscar ajuda

Com o tema “A importância da rede de apoio no combate à violência contra a mulher”, a juíza Luciana Fiala destacou que ampliar o acesso à informação é essencial para que as mulheres reconheçam situações de violência e saibam onde buscar ajuda.

“Falar sobre a importância da rede de apoio no combate à violência contra a mulher é fundamental, porque ninguém enfrenta uma situação de violência sozinha. Precisamos levar essa discussão para o maior número possível de pessoas, para que mais mulheres saibam onde e como buscar ajuda”, afirmou a magistrada.

Durante a palestra, foram abordados os diferentes tipos de violência, os impactos sobre os filhos e a vida profissional das vítimas e os obstáculos que ainda dificultam o acesso à Justiça. A juíza também chamou a atenção para sinais de relacionamentos abusivos, como controle excessivo, isolamento de familiares e amigos, humilhações, culpabilização da vítima, distorção da realidade e promessas recorrentes de mudança após episódios de violência.

A apresentação ainda destacou marcos históricos e jurídicos relacionados aos direitos das mulheres, como a conquista do voto feminino, a igualdade de direitos prevista na Constituição Federal de 1988 e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional a tese da “legítima defesa da honra”.

A delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Volta Redonda, Juliana Montes, falou sobre a Lei Maria da Penha, os desafios para sua aplicação e a necessidade de reconhecer que a violência vai além das agressões físicas.

“Não temos como falar de saúde da mulher, de autocuidado, se essa mulher não se sente segura e está sofrendo uma situação de violência. A violência não é só física, mas também causa dor emocional. Precisamos falar sobre a rede de apoio, os órgãos que fazem parte desse enfrentamento e os desafios da aplicação da Lei Maria da Penha, para que essa mulher não esteja sozinha em um momento tão difícil da vida”, destacou a delegada.

Rede articulada para garantir direitos

A subsecretária municipal de Assistência Social, Larissa Garcez, ressaltou a importância do acolhimento e do acompanhamento oferecidos pela política de Assistência Social, especialmente às mulheres em situação de vulnerabilidade social que precisam de apoio para romper o ciclo da violência.

“É fundamental que as mulheres conheçam seus direitos e saibam que não estão sozinhas. A Assistência Social tem um papel importante no acolhimento e no acompanhamento das mulheres em situação de violência, ajudando-as a encontrar apoio para enfrentar esse momento e construir caminhos para romper o ciclo da violência. Para isso, precisamos de uma rede articulada, que envolva diferentes políticas públicas e instituições”, afirmou Larissa Garcez.

A presidente do Instituto Dagaz, Marinez Fernandes, destacou a importância de levar informação diretamente aos territórios, onde muitas mulheres enfrentam dificuldades para conhecer e reivindicar seus direitos.

“É muito importante levar informação às mulheres, para que conheçam seus direitos, entendam que não estão sozinhas e saibam que existe uma rede forte preparada para oferecer apoio. Trabalhamos diretamente nos territórios, onde encontramos muitas mães solo, e essa união de forças é fundamental para que elas tenham acesso à informação e busquem seus direitos”, afirmou Marinez, ressaltando o trabalho desenvolvido pelo Instituto Dagaz há 17 anos.

Como buscar ajuda

A rede de proteção reúne serviços que atuam em diferentes etapas do acolhimento e do atendimento às mulheres: Assistência Social: Cras (Centros de Referência de Assistência Social) e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), que oferecem orientação, acompanhamento e encaminhamentos conforme as necessidades de cada caso; atendimento especializado à mulher: centros de referência e casas-abrigo, conforme os serviços disponíveis; Segurança pública: delegacias especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) e demais órgãos policiais; Justiça e assistência jurídica: Judiciário e Defensoria Pública; Saúde: unidades e serviços que prestam atendimento às vítimas, inclusive em situações de violência sexual.

A orientação é procurar ajuda ao identificar uma situação de violência. O atendimento e os encaminhamentos devem considerar as necessidades de cada mulher, garantindo acolhimento e acesso aos serviços adequados. Os atendimentos podem ser feitos através do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher, que oferece orientação e recebe denúncias) e para situações de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

Fotos: Divulgação/Smas.
Secom/PMVR

Fonte: Prefeitura de Volta Redonda

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