O boi chama, a comunidade vem: oficinas gratuitas e apresentações levam tradição às novas gerações em Macaé

Com oficinas gratuitas e apresentações em escolas e nas ruas, projeto aproxima crianças e jovens de uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular de Macaé; seis escolas públicas, o SESI e a Casa do Idoso serão contemplados
Quem já acompanhou um boi pintadinho pelas ruas de Macaé conhece a cena: a noite chega, a bateria começa, o boi dança e a vizinhança vem junto. Ao passar pelas ruas dos bairros, o cortejo reúne moradores que saem de casa, encontram os vizinhos e se juntam à brincadeira. Crianças, jovens e adultos seguem numa festa que carrega histórias de família, amizades e o orgulho de pertencer a um lugar. É dessa força de reunir pessoas que nasce o projeto “Circuito Cultural do Boi Pintadinho”, da Associação Recreativa do Boi Suave Veneno.
Único Ponto de Cultura dedicado ao boi pintadinho no município, o Suave Veneno integra uma rede de iniciativas reconhecidas por desenvolver ações culturais em suas comunidades, no âmbito da Política Nacional de Cultura Viva (Lei Federal nº 13.018/2014). A associação vai promover oficinas gratuitas de confecção de bois, percussão e formação de carregadores — os brincantes que dão movimento e vida ao boi. As atividades acontecerão de 31 de outubro de 2026 a 30 de janeiro de 2027, aos sábados, das 14h às 18h, e aos domingos, das 10h às 13h, na sede da associação, na Avenida Medeiros, nº 656, na Nova Holanda.
A proposta é colocar a mão na massa de verdade. Os participantes vão conhecer os materiais, aprender a montar e vestir o boi, experimentar os instrumentos da bateria e descobrir como os movimentos acompanham o ritmo. Nesse processo, os saberes de quem já faz a festa serão compartilhados com crianças, adolescentes e jovens, especialmente estudantes da rede pública e moradores das comunidades.
O aprendizado vai ganhar os pátios e as ruas. O projeto prevê apresentações em seis escolas públicas, além do SESI e da Casa do Idoso, e cortejos pelas comunidades. As escolas públicas participantes receberão um boizinho confeccionado nas oficinas, para que a experiência continue depois das visitas e encontre espaço em novas brincadeiras e atividades educativas.
Presente em muitos bairros populares e comunidades de Macaé, o boi pintadinho tem diferentes nomes, cores e agremiações, cada qual com sua história e seus seguidores. O projeto reunirá diversos desses grupos nas oficinas e nos cortejos, fortalecendo a troca de saberes e a colaboração entre quem mantém a tradição viva. Cada boi leva a identidade de sua comunidade, e juntos celebram uma cultura que pertence à cidade inteira.
Para uma criança, ver o boi chegar à escola pode ser o começo de uma descoberta. Para quem cresceu acompanhando os cortejos, pode trazer de volta a lembrança de um familiar, de uma música ou das noites em que seguia a bateria pelas ruas do bairro. O encontro com os idosos também abre espaço para essa troca: quem guarda histórias terá a oportunidade de compartilhá-las com quem está começando a conhecer a tradição.
Atuante desde 2000, o Suave Veneno tem raízes na Nova Holanda e uma trajetória construída com a participação da comunidade. No boi pintadinho, o bairro aparece nos ritmos, nas cores, no trabalho de quem prepara a estrutura e na alegria de quem acompanha a saída. Valorizar essa expressão é também reconhecer os moradores como criadores da cultura de Macaé.
Essa relação foi observada pelo professor da rede municipal de ensino de Macaé, Wilson dos Santos Souza, na dissertação de mestrado “Parem o trânsito que o boi vai passar”, apresentada à Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, em 2020. O estudo identifica o Suave Veneno como símbolo comunitário da Nova Holanda e destaca seu papel no acolhimento, na transmissão de saberes e na construção de vínculos entre gerações.
Em um cotidiano no qual tantas horas são ocupadas pelas telas, as oficinas oferecem um convite ao encontro: criar junto, ouvir a bateria de perto, aprender com outra pessoa e participar da vida do bairro. A cultura popular abre espaço para que crianças e jovens se reconheçam nas histórias de seu território e descubram que também podem ajudar a escrevê-las.
“O boi faz parte da nossa vida e da história da nossa comunidade. Queremos que as crianças aprendam a fazer, tocar e brincar, porque são elas que vão levar essa tradição adiante. Cada boizinho que chegar a uma escola vai carregar um pouco dessa história e abrir espaço para novas histórias também. Fica o convite para os jovens, as famílias e toda a comunidade: venham participar com a gente”, afirma o presidente da Associação Recreativa do Boi Suave Veneno, Talles da Silva Lima.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital nº 02/2026 — Rede Municipal de Pontos de Cultura de Macaé, promovido pela Prefeitura de Macaé, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com recursos do Governo do Brasil, por intermédio do Ministério da Cultura, destinados pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). O projeto integra a Política Nacional de Cultura Viva, articulada ao Sistema Nacional de Cultura (SNC), fortalecendo iniciativas comunitárias e ampliando o acesso da população à cultura.
“Esse investimento é um marco importante para o fortalecimento da cultura local, reconhecendo o valor dos artistas e produtores culturais que enriquecem a vida da nossa comunidade”, ressaltou a secretária de Cultura, Waleska Freire, sobre a importância da PNAB para a valorização da cultura na sociedade.
Com as oficinas e apresentações, a associação quer ampliar a presença do boi pintadinho nas escolas e dar maior visibilidade à tradição em Macaé e na região. O convite começa na Nova Holanda e segue com o boi: de rua em rua, reunindo mais gente ao som da bateria.
Serviço
Projeto: Circuito Cultural do Boi Pintadinho
Realização: Associação Recreativa do Boi Suave Veneno
Oficinas gratuitas: confecção de bois, percussão e formação de carregadores
Período: 31 de outubro de 2026 a 30 de janeiro de 2027
Horários: sábados, das 14h às 18h; domingos, das 10h às 13h
Local: sede da associação, Avenida Medeiros, nº 656, Nova Holanda, Macaé
Fonte: Prefeitura de Macaé

