Estudantes da E. M. Paulo Freire inauguram centro cultural e transformam antigo refeitório em espaço de arte

Uma escola viva é aquela em que os estudantes não apenas aprendem, mas também criam, ocupam espaços e participam das decisões sobre o lugar onde estudam. Foi com esse espírito que alunos da Escola Municipal Paulo Freire, no Fonseca, em Niterói, inauguraram, nesta quarta-feira (14), o Centro Cultural Paulo Freire. O espaço funcionava anteriormente como refeitório da unidade e ficou ocioso após uma reforma que incluiu a construção de um novo ambiente, maior e mais adequado para a alimentação escolar. Agora, ganhou um novo significado: além de se tornar a sede do grêmio estudantil, será um espaço de portas abertas para exposições de produções artísticas, culturais e de conhecimento desenvolvidas pelos próprios estudantes.
A inauguração aconteceu durante a Semana de Arte e Cultura da unidade, que reúne apresentações e diferentes manifestações artísticas e culturais protagonizadas por estudantes e professores. O secretário municipal de Educação de Niterói, Bira Marques, acompanhou a festividade e conheceu as produções que marcaram a abertura do novo espaço.
“Quando os estudantes se reconhecem como protagonistas da escola, eles descobrem que também têm o poder de transformá-la. É isso que estamos vendo aqui. Um espaço que antes era utilizado como refeitório agora ganha uma nova vida pelas mãos dos próprios alunos. A escola pública precisa ser esse lugar de expressão, de participação, de produção de conhecimento e de cultura. É muito bonito ver nossos estudantes compreendendo, na prática, que a escola também é deles e que suas ideias têm força para transformar a realidade”, destacou o secretário.
A primeira exposição do Centro Cultural reuniu trabalhos desenvolvidos nas aulas de Arte. Entre os destaques está a mostra fotográfica “A escola saiu às ruas”, projeto no qual estudantes levaram carteiras e cadeiras escolares para diferentes cenários urbanos, como museus, praças e centros comerciais. Nas imagens, espaços do cotidiano se transformam em salas de aula inusitadas, provocando reflexões sobre a relação entre educação e cidade.
O espaço também recebeu pesquisas e produções dedicadas ao trabalho de mulheres fotógrafas, apresentando suas trajetórias, criações e os legados construídos por meio de suas lentes. As exposições revelam como a arte pode estimular a investigação, ampliar repertórios e oferecer aos estudantes novas maneiras de interpretar e representar o mundo.
Para Emily Lima, diretora de Comunicação e Mídia do Grêmio Estudantil, o novo centro cultural representa a oportunidade de ampliar a voz dos estudantes e mostrar que eles também são protagonistas da construção do ambiente escolar.
“Esse espaço nasceu de uma ideia que construímos com o professor de Artes. Conversamos, pensamos nas possibilidades e abraçamos a proposta. É muito legal unir o grêmio à arte, porque aqui a gente pode se reunir, compartilhar ideias e também mostrar tudo o que os estudantes são capazes de criar. É um espaço nosso, feito com a nossa participação e que vai estar aberto para toda a escola”, explicou Emily.
O professor de Artes Eires Silveira, um dos responsáveis por incentivar a criação do centro cultural, explicou que a proposta surgiu a partir do desejo de dar uma nova função ao antigo refeitório, que ficou disponível após a reforma da unidade. A ideia, inicialmente voltada à realização de exposições, ganhou uma dimensão maior com a participação do grêmio estudantil.
“Com a construção de um refeitório novo, mais moderno e mais bonito, vimos a oportunidade de transformar esse ambiente. A professora Denilce, também de Artes, teve a ideia de organizar exposições, e pensamos em ir além, criando um centro cultural que também fosse a sede do grêmio. Mais do que produzir fotografias, poesias e outros trabalhos artísticos, os estudantes precisam ter a oportunidade de apresentar suas criações e reconhecer o valor do que fazem. Eles participaram de todo o processo, da produção à montagem das exposições. Isso desenvolve a sensibilidade, amplia o olhar e fortalece a autonomia e o protagonismo de cada um”, afirmou o professor.
Há duas décadas como professora na Escola Municipal Paulo Freire, a diretora Márcia Palmar acompanhou de perto as transformações da unidade e destacou que a inauguração do centro cultural representa mais um avanço na construção de uma escola que valoriza a participação dos estudantes.
“Sou professora desta escola há 20 anos e acompanhei de perto toda a sua transformação. Hoje, temos uma escola renovada, que recebeu investimentos importantes, ampliou suas oportunidades de aprendizagem e oferece cada vez mais experiências por meio do esporte, da arte e da cultura. A inauguração deste espaço é mais um passo nessa trajetória. Queremos que nossos estudantes não sejam apenas espectadores, mas participantes ativos da vida escolar, com liberdade para criar, se expressar e tomar decisões. A escola precisa ser esse lugar de formação de jovens críticos, participativos e conscientes do papel que têm na sociedade”, ressaltou a diretora.
Fonte: Prefeitura de Niterói





